Era mesmo uma mulher sensual. No auge dos seus 21 anos e um corpo primoroso, deixava os homens babando quando desfilava pela avenida. Alguns arriscavam a dizer: - Não existe mulher mais bela.Realmente Alicinha possuía um corpo pecaminoso. Era o sonho de consumo de vários homens. Filha única, estudante de medicina, era o orgulho da família. O pai, seu Oswaldo Santiago, um médico de renome, a tratava como pão-de-ló. Súbito, batia no peito com altivez quando falava da filha. E afirmava: - Essa será mais sucedida do que eu. Nasceu para brilhar.
O que seu Oswaldo não sabia é que no fundo, Alicinha não queria ser médica. Com medo de magoá-lo, a bela escolheu a profissão para agradá-lo. O velho passará a vida toda sonhando com a formatura da filha. O que ela queria mesmo, era ser atriz. Sonhava quando pequena, assistindo as novelas, em ser estrela de cinema.
Fantasia ofuscada, resolveu seguir mesmo a trilha do pai. Afinal, não é tão ruim assim. Quantos sonhavam em estar em seu lugar, ela pensava. No entanto, com o decorrer do curso, a bela jovem foi ficando oprimida. Não queria saber de mais nada.
Dedicar-se demais aos estudos só para agradar ao pai o estava deixando opressa. Até que um belo dia, Alicinha conheceu Rodolfo. Rodolfo era um malandro nato. Galanteador, já havia trepado com praticamente todas as meninas do bairro. No dia em que viu Alicinha, ficou transtornado. O corpo ardia de paixões, vontade, e no pensamento, só via aquela menina, delicada em sua cama. Ele por cima. Ela rebolando e ele, passando a mão, carinhando, chupando seus belos seios.
Não resolveu pensar duas vezes para conversar com ela. Estavam dentro do ônibus. Ele, na maior cara de pau, sentou-se ao seu lado. Ela, moça tímida, criada com todos os cuidados possíveis, não sentiu a malevolência do rapaz, que aos poucos, incensava assunto com a suntuosa jovem.
A conversa deu certo. Tapeador por si só, Rodolfo alcançou seu objetivo: pegar o telefone da moça. Ao sair, esfregava as mãos e dizia: - Agora está no papo.
Conversaram e marcaram de sair. Passado um mês, a jovem já dizia apaixonada. Rodolfo tirava sarro com os companheiros. - Olhe só a gostosa que estou pegando.
Quem não gostou nada disso foi a pai da garota. Ciumento, o velho não gostara do rapaz desde o primeiro dia que o viu. Mas para não magoar a filha, concedeu o namoro. Com o passar do tempo, o desestimulo do Alicinha com os estudos e o ânimo com o chamego deixará seu Oswaldo possesso.
O velho ameaçou a menina: - Olha que te mando para fora. Ela, cega de amores revidou: - Faça, faça mesmo. É essa sua vontade? Mas já te aviso de antemão, não largo ele, não largo. Eu o amo, entendeu papai? Eu o amo e nem você, nem ninguém vai tirar isso de mim.
A resposta da menina deixou o velho entontecido. Parecia que seu Oswaldo havia tomado um tiro. Escutar essas palavras de sua linda garotinha por causa de um vagabundo nato, o deixará perplexo. Não, mais do que isso. O deixou cego, louco, no auge da sua insanidade. Prometeu para si mesmo que daria um fim nesse namoro sem que ela soubesse. Influente por si só, ligou para um grande amigo, o Sr. Rubens, ou Rubão, como era chamado. Rubão era um delegado com a fama de mau. Seu lema era “bandido bom é bandido morto.” Não tinha nenhuma piedade com aqueles que judiavam, roubavam, estupravam, enfim, fulanos que viviam no submundo.
Ao ouvir a história de seu Oswaldo, Rubão prometeu que solucionaria a angústia do amigo. – Pode deixar comigo, passa-me a ficha do malandro.
Foi dito e feito. Naquela noite, Rodolfo estava no bar com os amigos jogando sinuca e flertando as menininhas que ali estavam. Mal ele sabia o que estava por vir. Por volta de uma da madrugada, apareceu ali uma viatura, cheia de policiais que o abordaram imediatamente. Para o azar do garoto, seus bolsos estavam cheios de papelotes de maconha. Levado para a delegacia, Rodolfo levou uma surra e foi intimidado pelo delegado. – Nunca mais procure aquela garota, entendeu? Termine com ela. Se eu ficar sabendo que vocês saíram, eu lhe mato. Agora, suma daqui.
Não pensou duas vezes e saiu da delegacia aos prantos. No outro dia, Rubão ligou para Sr. Oswaldo dando-lhe a bela notícia. – Caso resolvido. Nunca mais esse malandro dará os ares em sua casa, eu garanto. O velho, numa prosperidade tremenda, esfregou as mãos e disse: - Agora sim, estou feliz.
E realmente, Rodolfo literalmente sumiu do mapa. Alicinha, em um desespero tremendo, não conseguia falar com o rapaz, que se mudou no mesmo dia do ultimato. Até o telefone ele mudou. Passado uma semana, a jovem, agonizada por si só, não sabia mais o que fazer. E acusava o pai: - Foi o senhor, o que você fez com ele? O velho, sem saber o que estava acontecendo, revidava. - Juro que não.
A cada dia que passava, Alicinha ficava mais amargurada, melancólica. A mãe, advertia o marido: - Estou preocupada com a Alicinha. Ela está muito mal. O velho respondia: Que nada, isso é amor passageiro. Logo, logo, passa. Garanto-te. Semana que vem, ela já estará na atividade novamente.
Acontece que as previsões de seu Oswaldo deram nágua. A bela Alicinha não era mesma. Emagreceu, não queria saber de comer e de mais nada, apenas chorar. Um belo dia, o holocausto. Sr. Oswaldo e sua senhora estavam jantando quando escutaram o estrondo: BUM!
Subiram correndo as escadas e quando chegaram no quarto de Alicinha, a moça já se encontrava morta. Havia se suicidado com um tiro na boca. Em seu lado, uma carta que dizia: - Sem Rodolfo não sou ninguém, não tenho mais ânimo de viver.

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