quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O português

Muito bem. Assunto a ser debatido em questão: os erros grotescos de português que encontramos por aí. Escrever não é uma tarefa fácil. Ao contrário. Exige uma capacidade crítica, concentração e competência para organizar idéias em torno de um assunto principal, que requer treino e atenção nos mínimos detalhes. Engano quem crê na não-importância da ação da mesma.

Tenho andado abismado quando vago pelos Posts do Orkut em diversas Comunidades. Erros grotescos, espatafúrdios, estarrecedores. Um verdadeiro assassinato à norma culta. É claro. É totalmente natural cometer erros, faz parte da natureza humana. Eu também cometo trucidamentos gramaticais. Mas, genocídios não. Frases mal articuladas, acentuações bizarras. Alguns acham que estão abafando, mas na verdade estão pagando um tremendo mico. A maneira mais simples de escrever é do modo mais claro, da forma mais correta possível. Fazendo isso, você estará dando um grande passo. Mas é importante ler. A prática da leitura, além de satisfatória para a mente, lhe trará uma capacidade cognitiva, de elevação do nível intelectual, de interpretação, de conhecimentos prévios necessários para seu dia-a-dia.

É claro, no entanto, que devemos reconhecer a riqueza e ao mesmo tempo, a complexidade de nossa língua. Saber escrever corretamente, seguindo às regras adotadas pelos gramáticos não é uma tarefa simples. Ainda mais em um país no qual o investimento em educação é irrisório. Entretanto, isso não é empecilho para querer aprender.

Um investimento em uma educação bem catalogada e capaz de elevar o nível intelectivo da população, seria importante para transpor maiores avanços na escrita no meio do popular.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

E tu... quem és?

E tu... quem és?
Será que de fato sabes quem és tu?
Diga-me, carambolas.
Quem és tu?
Sem culpas, sem pudores, sem rumores ou odores.
Quem és tu?

Tu és feliz ?
Ou infeliz?
Um sujeito ou uma sujeita?

O que queres da vida?
O que sabe dela?
Quem é você?
Pra determinar como deve ser?

Afinal, quem és tu?
Eu não sei..
Neste mundo alucinado
Somos apenas mais um
Sujeito(a) comum
Estereotipado
Por esse sistema
Que se passa a tua volta

Ditando as regras
E determinando
Como deve ser tu...

Amor falso

Um homem...
E uma mulher
Amavam-se incondicionalmente
Ou diziam que se adoravam

Até que um dia...
A traição corrompeu um dos dois
O que era amor
Virou falsidade

Falsidade. A melhor definição desse amor, fora resumido por eles.

Calunioso, inventivo. Alimenta-se expectativas, mas no fim, só decepção, desapontamento, desengano, desilusão...

Quem dera, esse pobre e humilde servo, diz ele...

Pudesse encontrar um amor verdadeiro. Aquele que algum dia, quando ele estivesse terrivelmente abatido e perdido, encontraria alegria com o encantador e caloroso sorriso de sua bela...

Somente esse sorriso, esse olhar, esse beijo, essa ternura, este encanto...
Faria-o feliz
Um dia, sonhastes com ela
E pensou:
Encantadora... Nunca, jamais mude.
Mantenha aquele encanto ofegante,
Porque eu te amo,
Exatamente do jeito como você me apareceu esta noite...

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

José

Carlos Drummond de Andrade

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?

você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio – e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Inteligêनकिया humana

A habilidade básica da inteligência humana é saber distinguir o essencial do casual, o importante do irrelevante.

Essa distinção incide numa feliz adequação entre o foco daquilo que você almeja e a estrutura do elemento estimado, seja esse elemento um acontecimento, um indivíduo, uma dificuldade, um protesto ou uma circunstância de fatos। A pessoa inteligente vai direto ao nexo central, ao seu objetivo। Ela oferece por si só à sua visão, enquanto o idiota ou negligente fica saltando inutilmente de um ângulo a outro। Essa pessoa fútil se apega ferozmente a certas probabilidades costumadas, desfigurando o objeto para que se acomode a seus hábitos intelectuais e crendo alcançar uma essência quando não apreende senão uma fantasia autoprojetiva.

Essa pessoa não tem o mínimo de discernimento do essencial. A inteligência humana para ele não é propriamente inteligência, mas sim um preceito de reações contraídas não muito desigual da de um pato, galo ou peru. Ou seja, esse indivíduo(a) é um tolo, hipócrita, estúpido, fútil...

Dedica-se em alimentar o pensamento com idéias úteis, e não com episódios fúteis. Agregue valor à sua vida.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Para uma amiga

A vida é cheia de incertezas. Às vezes, nós sentimos meras criaturas insignificantes, anódinos, medíocres, dominados por esse sistema cruel, que manipula, que destrói, que edifica, entusiasma, que nos faz rir e chorar ao mesmo tempo.

Nem tudo são flores, nem tudo é tempestade. Devemos ter em mente que para tudo, há seu tempo.

Tempo para seu período próprio, tempo para todo desígnio por baixo do céu. Há tempo de vir ao mundo, de falecer; de plantar e colher o que se plantou...

Tempo de sentir lembrança e deslembrar; de demolir e edificar;

De lamentar e de dançar; de disseminar rochas e juntá-las; tempo de comemorar as conquistas e tempo de recomeçar..

De emocionar e de esquecer; do ganhar e do perder; do arquivar e do jogar fora; de ficar calado e de falar;

Há o tempo para amar e também o tempo de sofrer por esse amor; da guerra e da paz; do limitado e do ilimitado.

Para tudo na vida existe seu tempo. E quando chegar sua oportunidade, agarre-a, aproveite ao máximo o seu momento. A importância dos acontecimentos não está no tempo em que eles duram, mas sim na intensidade com que sobrevêm. E é por isso que saboreamos períodos simplesmente memoráveis, acontecimentos incompreensíveis e pessoas admiráveis.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Dica do dia

Dedica-se em alimentar o pensamento com idéias úteis, e não com episódios fúteis.

Agregue valor à sua vida.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Alicinha

Era mesmo uma mulher sensual. No auge dos seus 21 anos e um corpo primoroso, deixava os homens babando quando desfilava pela avenida. Alguns arriscavam a dizer: - Não existe mulher mais bela.

Realmente Alicinha possuía um corpo pecaminoso. Era o sonho de consumo de vários homens. Filha única, estudante de medicina, era o orgulho da família. O pai, seu Oswaldo Santiago, um médico de renome, a tratava como pão-de-ló. Súbito, batia no peito com altivez quando falava da filha. E afirmava: - Essa será mais sucedida do que eu. Nasceu para brilhar.

O que seu Oswaldo não sabia é que no fundo, Alicinha não queria ser médica. Com medo de magoá-lo, a bela escolheu a profissão para agradá-lo. O velho passará a vida toda sonhando com a formatura da filha. O que ela queria mesmo, era ser atriz. Sonhava quando pequena, assistindo as novelas, em ser estrela de cinema.

Fantasia ofuscada, resolveu seguir mesmo a trilha do pai. Afinal, não é tão ruim assim. Quantos sonhavam em estar em seu lugar, ela pensava. No entanto, com o decorrer do curso, a bela jovem foi ficando oprimida. Não queria saber de mais nada.

Dedicar-se demais aos estudos só para agradar ao pai o estava deixando opressa. Até que um belo dia, Alicinha conheceu Rodolfo. Rodolfo era um malandro nato. Galanteador, já havia trepado com praticamente todas as meninas do bairro. No dia em que viu Alicinha, ficou transtornado. O corpo ardia de paixões, vontade, e no pensamento, só via aquela menina, delicada em sua cama. Ele por cima. Ela rebolando e ele, passando a mão, carinhando, chupando seus belos seios.

Não resolveu pensar duas vezes para conversar com ela. Estavam dentro do ônibus. Ele, na maior cara de pau, sentou-se ao seu lado. Ela, moça tímida, criada com todos os cuidados possíveis, não sentiu a malevolência do rapaz, que aos poucos, incensava assunto com a suntuosa jovem.

A conversa deu certo. Tapeador por si só, Rodolfo alcançou seu objetivo: pegar o telefone da moça. Ao sair, esfregava as mãos e dizia: - Agora está no papo.

Conversaram e marcaram de sair. Passado um mês, a jovem já dizia apaixonada. Rodolfo tirava sarro com os companheiros. - Olhe só a gostosa que estou pegando.

Quem não gostou nada disso foi a pai da garota. Ciumento, o velho não gostara do rapaz desde o primeiro dia que o viu. Mas para não magoar a filha, concedeu o namoro. Com o passar do tempo, o desestimulo do Alicinha com os estudos e o ânimo com o chamego deixará seu Oswaldo possesso.

O velho ameaçou a menina: - Olha que te mando para fora. Ela, cega de amores revidou: - Faça, faça mesmo. É essa sua vontade? Mas já te aviso de antemão, não largo ele, não largo. Eu o amo, entendeu papai? Eu o amo e nem você, nem ninguém vai tirar isso de mim.

A resposta da menina deixou o velho entontecido. Parecia que seu Oswaldo havia tomado um tiro. Escutar essas palavras de sua linda garotinha por causa de um vagabundo nato, o deixará perplexo. Não, mais do que isso. O deixou cego, louco, no auge da sua insanidade. Prometeu para si mesmo que daria um fim nesse namoro sem que ela soubesse. Influente por si só, ligou para um grande amigo, o Sr. Rubens, ou Rubão, como era chamado. Rubão era um delegado com a fama de mau. Seu lema era “bandido bom é bandido morto.” Não tinha nenhuma piedade com aqueles que judiavam, roubavam, estupravam, enfim, fulanos que viviam no submundo.

Ao ouvir a história de seu Oswaldo, Rubão prometeu que solucionaria a angústia do amigo. – Pode deixar comigo, passa-me a ficha do malandro.

Foi dito e feito. Naquela noite, Rodolfo estava no bar com os amigos jogando sinuca e flertando as menininhas que ali estavam. Mal ele sabia o que estava por vir. Por volta de uma da madrugada, apareceu ali uma viatura, cheia de policiais que o abordaram imediatamente. Para o azar do garoto, seus bolsos estavam cheios de papelotes de maconha. Levado para a delegacia, Rodolfo levou uma surra e foi intimidado pelo delegado. – Nunca mais procure aquela garota, entendeu? Termine com ela. Se eu ficar sabendo que vocês saíram, eu lhe mato. Agora, suma daqui.

Não pensou duas vezes e saiu da delegacia aos prantos. No outro dia, Rubão ligou para Sr. Oswaldo dando-lhe a bela notícia. – Caso resolvido. Nunca mais esse malandro dará os ares em sua casa, eu garanto. O velho, numa prosperidade tremenda, esfregou as mãos e disse: - Agora sim, estou feliz.

E realmente, Rodolfo literalmente sumiu do mapa. Alicinha, em um desespero tremendo, não conseguia falar com o rapaz, que se mudou no mesmo dia do ultimato. Até o telefone ele mudou. Passado uma semana, a jovem, agonizada por si só, não sabia mais o que fazer. E acusava o pai: - Foi o senhor, o que você fez com ele? O velho, sem saber o que estava acontecendo, revidava. - Juro que não.

A cada dia que passava, Alicinha ficava mais amargurada, melancólica. A mãe, advertia o marido: - Estou preocupada com a Alicinha. Ela está muito mal. O velho respondia: Que nada, isso é amor passageiro. Logo, logo, passa. Garanto-te. Semana que vem, ela já estará na atividade novamente.

Acontece que as previsões de seu Oswaldo deram nágua. A bela Alicinha não era mesma. Emagreceu, não queria saber de comer e de mais nada, apenas chorar. Um belo dia, o holocausto. Sr. Oswaldo e sua senhora estavam jantando quando escutaram o estrondo: BUM!

Subiram correndo as escadas e quando chegaram no quarto de Alicinha, a moça já se encontrava morta. Havia se suicidado com um tiro na boca. Em seu lado, uma carta que dizia: - Sem Rodolfo não sou ninguém, não tenho mais ânimo de viver.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Confissão do dia

Quer saber?
Sem culpas e sem pudores.
Foda-se!

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Descomunal

Começou num regozijo e um ardor irrefragável...
O peito inflamava toda vez que se encontravam...
Súbito, esse amor aumentava desproporcionalmente...
Que acabará de uma forma descontente, de repente...

Injúrias, calúnias, banzés, difamações....
Felicidade extrema, vira infortúnio...
O que era afabilidade, tornou-se repúdio...
A escuridão, sombria, nuviosa, triste, passou a tomar conta de ti...
Insurrecionas, incredulidades, completavam o vocábulo de sua vida...

Os dias passavam, a amargura alargava...
Exorava a morte....
Até que um dia...
Vida que segue, a dor desaparece...

O sol que havia sumido, nasce novamente
Novos olhares da vida reaparecem...
Flores, cantigas, literatura, café expresso, belezas da vida...

Mas o amor....
Démodê, não crê mais nisso....
Isso é o amor...
Porque nessa vida o que importa é mesmo a alegria.

Escrever

De todas as formas de expressão, a melhor é a escrita.
Ela irradia, transborda-nos de alegria
Nela, vomitamos os nossos maiores alarmes, anseios, receios, sentimentos, dores, frustrações, compaixões, histórias, fatos, pensamentos, teorias
.
..para si e para os outros

Escrever...
Atividade convencional e codificada
Fruto de uma aquisição a partir de certo grau de alargamento intelectual...
Incremento mensurável de fatores maturativos, laborais

Melhor forma de nos afastar
Da ociosidade da vida
E aproximar-nos da presença de Deus

Receitinha do dia

Parafraseando o Mestre.
Frigideira boa. Pouco óleo. Fogo baixo. Paciência.
Muita, muita paciência.

Quero me casar

Quero me casar
Na noite na rua
No mar ou no céu
Quero me casar.

Procuro uma noiva
Loura morena
Preta ou azul
Uma noiva verde
Uma noiva no ar
Como um passarinho.

Depressa, que o amor
Não pode esperar!

-Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

O individualismo do mundo moderno

É engraçado como no mundo de hoje, denominado de “mundo moderno”, vivemos num verdadeiro paradoxo. Em plena globalização, cuja idéia inicial seria um mundo sem fronteiras econômicas, no pressuposto de que uma integração espontânea, voltada para o estímulo aos aspectos complementares de diferentes economias e países, seria o mais eficaz processo de construção do equilíbrio planetária, ou seja, a união dos povos, o individualismo humano paira cada vez mais.

Um dos maiores propulsores desta idéia de globalização, que contribui, e muito para a união desses povos é, sem dúvida, a Internet. Estamos interligados 24 horas por dia. A cada minuto que passa, a rede mundial de computadores nos proporciona uma viagem pelo mundo sem sair do lugar. Dentro dela conhecemos novas culturas, fazemos novas amizades com pessoas que moram há milhares de distância, trabalhamos, aperfeiçoamos nos assuntos ligados a nossa área de interesse e giramos milhões de negócios por dia.

O contraponto disto tudo é que, ao invés de comunicarmos melhor, estamos virando verdadeiros ratos de laboratório, reféns da competitividade e de nossos próprios medos. Afim de nos libertarem de nossas angústias, fechamos em nossos quartos com o único intuito. Isolarmos do mundo em frente ao computador, televisão etc.

O número de pessoas viciadas em Internet já supera o numero de pessoas viciadas em heroína. Segundo o médico austríaco Hubert Poppe, um dos principais especialistas em vícios do mundo, cerca de 3% dos internautas desenvolvem algum tipo de dependência, porém não estão relacionadas a um produto químico. Segundos especialistas, os internautas dependentes da Internet, rompem freqüentemente relações amorosas, pois os mesmos preferem ficar conectados e deixam a vida social de lado.

E é aí que está o verdadeiro paradoxo. Advêm do fato do mundo estar teoricamente unificado, e ao mesmo tempo as pessoas estarem tão separadas entre si como nunca na história da humanidade.

As conversas em rodas de praça, botecos, corredores de aula, estão cada vez mais escassa. Nossos melhores amigos são os Laptops, os Ipods, DVDs, celulares, enfim, as novidades do mundo tecnológico.

E isso acontece, principalmente, cada vez que nos desenvolvemos profissionalmente. Nos distanciamos dos outros cada vez mais; mudamos de um apartamento para um condomínio fechado, sem contato com os nossos vizinhos. Ouvimos ou assistimos somente músicas ou filmes do nosso gosto, de forma separada dos outros, geralmente através de “headphones” que acabam nos desconectando do mundo. Até mesmo nossos celulares, que deveriam nos conectar com os outros, nos permitem “filtrar” nossas relações, separando-nos dos corpos que estão ao nosso redor, de forma a nos fazer ouvir vozes de pessoas, que no final, raramente encontramos.

Hoje é comum vermos filhos que só falam com os pais por telefone, visitas via celular a entes queridos, com um final geralmente dizendo “eu te amo”.É comum também, num primeiro encontro, sempre perguntar ao outro: você trabalha em que área?

Estamos perdendo os bons hábitos. Não ajudamos o próximo, não conversamos com Deus, não dizemos palavras e frases gentis como um simples “por favor” ou um “muito obrigado”. Ao contrário. Dizemos palavras rudes ou que machuquem, pois isso não exibe o fruto da bondade ou gentileza.

Viramos verdadeiros reféns do capitalismo. Precisamos pensar uns nos outros, em vez de pensar só em nós mesmos – apesar de que o mundo de hoje nos proporciona essa competitividade -, e precisamos tentar amar nosso próximo com nossas atitudes. Praticar cortesia é algo simples, mas tem muito impacto.


Imagem: Divulgação

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Isso é jornalismo?

O jornalismo vive uma grande crise. Embrionária. Crise semelhante ao qual vimos na classe política. A da Ética e da Moral. Nossos formadores de opinião, conglomerados nos grandes meios de comunicação parecem estar perdendo para o marketing, a publicidade. Viramos um simples refém do capitalismo. As empresas jornalísticas, falidas em sua maioria, viram alvos fáceis das grandes multinacionais, afim de se promoverem.

O leitor deve estar se perguntando onde quero chegar. Vou explicar. A nova moda agora são as “matérias pagas”. Isso já funciona a tempo nos pequenos jornais. Muita gente no meio jornalístico sabe que existe. O desembolso, por parte de órgãos governamentais e políticos, para que jornais e revistas publiquem essas reportagens de interesse específico.

Essa pratica é condenada por todos os jornalistas éticos e pela Associação Nacional dos Jornais. No entanto, ela não é ilegal: a "reportagem" encomendada recebe o mesmo tratamento na Lei que os demais anúncios.

O que me deixa estupefato – daí o motivo deste artigo – é que as grandes empresas, tradicionais em nosso país em se engajarem como defensora dos ideais da sociedade, parece estar adotando tal postura.

O jornal Estado de São Paulo, em sua edição no último domingo de julho (27), teve como capa promocional entregue aos publicitários encarregados de vender os carros Nissan. Tal ato aconteceu também no jornal O Globo, na edição do dia 04 de agosto. Na ocasião, a Eletrobrás (anunciante), aproveitou-se, de forma bem simples, com aparência inocente, cívica, politicamente correta, para auto se promover. Utilizou-se de um assunto que vem sendo discutido constantemente pela sociedade e a mídia. O meio-ambiente.

Dedicaram três páginas inteiras (5, 11 e 19) montadas com matérias já publicadas recentemente no jornal carioca, com todas as características de reportagem apurada. Inclusive com os selos utilizados habitualmente pelo jornal ("Política Ambiental", "Defesa do Consumidor" e "Impunidade é Verde"). O carimbo "Publicidade" não está no alto, destacado, mas confunde-se com outros dizeres.

Todos os indícios de matéria jornalística estavam presentes. Até o nome de repórteres, além de imagens desenhadas de copas de árvores. Uma das matérias revela que a Eletrobrás está plantando 600 mil mudas de árvores no entorno das suas usinas. Quanta bondade.

Daí fica a pergunta. Quanto será custou essa palhaçada? A matéria da montadora Nissan, publicada no Estadão, foi paga por uma empresa privada que resolveu torrar os seus lucros no Brasil. Parabéns a ela. E ao Estadão, que lucrou com isso.

Já a grande reportagem publicada no Globo foi pago por uma estatal. E deve ter custado 10 vezes mais do que as 600 mil mudas plantadas no entorno das usinas.

O que vimos nas redações dos grandes jornais brasileiros hoje é um grande número de marqueteiros e publicitários com a dupla missão de fazer do jornalismo, publicidade e da publicidade, jornalismo. E os interesses da sociedade? Nenhum.

Estamos em tempo de crise. A discussão sobre o jornalismo precisa ser levada em conta. Qual é a sua real função? Acredito que seja oportuno o debate sobre a possibilidade da existência do jornalismo público, ainda que num ambiente dominado pelas leis de mercado. Do contrário, a sociedade continuará à mercê do jornalismo tradicional, enfraquecido pelos imperativos imediatistas do faturamento, ou de algum neologismo que afaste a imprensa da formulação de interpretações do mundo que tenham compromisso com a emancipação dos seres humanos. Assim, continuaremos a presenciar a corrupção da cidadania.

Imagem: divulgação