sexta-feira, 17 de outubro de 2008

E tu... quem és?

E tu... quem és?
Será que de fato sabes quem és tu?
Diga-me, carambolas.
Quem és tu?
Sem culpas, sem pudores, sem rumores ou odores.
Quem és tu?

Tu és feliz ?
Ou infeliz?
Um sujeito ou uma sujeita?

O que queres da vida?
O que sabe dela?
Quem é você?
Pra determinar como deve ser?

Afinal, quem és tu?
Eu não sei..
Neste mundo alucinado
Somos apenas mais um
Sujeito(a) comum
Estereotipado
Por esse sistema
Que se passa a tua volta

Ditando as regras
E determinando
Como deve ser tu...

Amor falso

Um homem...
E uma mulher
Amavam-se incondicionalmente
Ou diziam que se adoravam

Até que um dia...
A traição corrompeu um dos dois
O que era amor
Virou falsidade

Falsidade. A melhor definição desse amor, fora resumido por eles.

Calunioso, inventivo. Alimenta-se expectativas, mas no fim, só decepção, desapontamento, desengano, desilusão...

Quem dera, esse pobre e humilde servo, diz ele...

Pudesse encontrar um amor verdadeiro. Aquele que algum dia, quando ele estivesse terrivelmente abatido e perdido, encontraria alegria com o encantador e caloroso sorriso de sua bela...

Somente esse sorriso, esse olhar, esse beijo, essa ternura, este encanto...
Faria-o feliz
Um dia, sonhastes com ela
E pensou:
Encantadora... Nunca, jamais mude.
Mantenha aquele encanto ofegante,
Porque eu te amo,
Exatamente do jeito como você me apareceu esta noite...

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

José

Carlos Drummond de Andrade

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?

você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio – e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Inteligêनकिया humana

A habilidade básica da inteligência humana é saber distinguir o essencial do casual, o importante do irrelevante.

Essa distinção incide numa feliz adequação entre o foco daquilo que você almeja e a estrutura do elemento estimado, seja esse elemento um acontecimento, um indivíduo, uma dificuldade, um protesto ou uma circunstância de fatos। A pessoa inteligente vai direto ao nexo central, ao seu objetivo। Ela oferece por si só à sua visão, enquanto o idiota ou negligente fica saltando inutilmente de um ângulo a outro। Essa pessoa fútil se apega ferozmente a certas probabilidades costumadas, desfigurando o objeto para que se acomode a seus hábitos intelectuais e crendo alcançar uma essência quando não apreende senão uma fantasia autoprojetiva.

Essa pessoa não tem o mínimo de discernimento do essencial. A inteligência humana para ele não é propriamente inteligência, mas sim um preceito de reações contraídas não muito desigual da de um pato, galo ou peru. Ou seja, esse indivíduo(a) é um tolo, hipócrita, estúpido, fútil...

Dedica-se em alimentar o pensamento com idéias úteis, e não com episódios fúteis. Agregue valor à sua vida.