É engraçado como no mundo de hoje, denominado de “mundo moderno”, vivemos num verdadeiro paradoxo. Em plena globalização, cuja idéia inicial seria um mundo sem fronteiras econômicas, no pressuposto de que uma integração espontânea, voltada para o estímulo aos aspectos complementares de diferentes economias e países, seria o mais eficaz processo de construção do equilíbrio planetária, ou seja, a união dos povos, o individualismo humano paira cada vez mais.Um dos maiores propulsores desta idéia de globalização, que contribui, e muito para a união desses povos é, sem dúvida, a Internet. Estamos interligados 24 horas por dia. A cada minuto que passa, a rede mundial de computadores nos proporciona uma viagem pelo mundo sem sair do lugar. Dentro dela conhecemos novas culturas, fazemos novas amizades com pessoas que moram há milhares de distância, trabalhamos, aperfeiçoamos nos assuntos ligados a nossa área de interesse e giramos milhões de negócios por dia.
O contraponto disto tudo é que, ao invés de comunicarmos melhor, estamos virando verdadeiros ratos de laboratório, reféns da competitividade e de nossos próprios medos. Afim de nos libertarem de nossas angústias, fechamos em nossos quartos com o único intuito. Isolarmos do mundo em frente ao computador, televisão etc.
O número de pessoas viciadas em Internet já supera o numero de pessoas viciadas em heroína. Segundo o médico austríaco Hubert Poppe, um dos principais especialistas em vícios do mundo, cerca de 3% dos internautas desenvolvem algum tipo de dependência, porém não estão relacionadas a um produto químico. Segundos especialistas, os internautas dependentes da Internet, rompem freqüentemente relações amorosas, pois os mesmos preferem ficar conectados e deixam a vida social de lado.
E é aí que está o verdadeiro paradoxo. Advêm do fato do mundo estar teoricamente unificado, e ao mesmo tempo as pessoas estarem tão separadas entre si como nunca na história da humanidade.
As conversas em rodas de praça, botecos, corredores de aula, estão cada vez mais escassa. Nossos melhores amigos são os Laptops, os Ipods, DVDs, celulares, enfim, as novidades do mundo tecnológico.
E isso acontece, principalmente, cada vez que nos desenvolvemos profissionalmente. Nos distanciamos dos outros cada vez mais; mudamos de um apartamento para um condomínio fechado, sem contato com os nossos vizinhos. Ouvimos ou assistimos somente músicas ou filmes do nosso gosto, de forma separada dos outros, geralmente através de “headphones” que acabam nos desconectando do mundo. Até mesmo nossos celulares, que deveriam nos conectar com os outros, nos permitem “filtrar” nossas relações, separando-nos dos corpos que estão ao nosso redor, de forma a nos fazer ouvir vozes de pessoas, que no final, raramente encontramos.
Hoje é comum vermos filhos que só falam com os pais por telefone, visitas via celular a entes queridos, com um final geralmente dizendo “eu te amo”.É comum também, num primeiro encontro, sempre perguntar ao outro: você trabalha em que área?
Estamos perdendo os bons hábitos. Não ajudamos o próximo, não conversamos com Deus, não dizemos palavras e frases gentis como um simples “por favor” ou um “muito obrigado”. Ao contrário. Dizemos palavras rudes ou que machuquem, pois isso não exibe o fruto da bondade ou gentileza.
Viramos verdadeiros reféns do capitalismo. Precisamos pensar uns nos outros, em vez de pensar só em nós mesmos – apesar de que o mundo de hoje nos proporciona essa competitividade -, e precisamos tentar amar nosso próximo com nossas atitudes. Praticar cortesia é algo simples, mas tem muito impacto.
Imagem: Divulgação

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